Debaixo desse angu tem caroço

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Sinopse

As normas se alimentam dos desviantes como uma maneira de afirmação e diferenciação que as mantêm como padrões a serem seguidos. Em outras palavras, este sistema precisa da produção de “diferentes inferiores” para sobreviver. Este é o combustível. O angu se fortifica com o caroço, com as carnes que ali estão. Todavia, aí encontramos uma brecha, uma rachadura. Apesar de uma pretensão de purificação, separação e neutralidade depois de misturados não há como comer angu sem o gosto da carne e nem a carne sem o gosto do angu. O próprio sistema possibilita ao caroço contaminar o angu embaralhando as fronteiras pretensamente e supostamente marcadas promovendo uma invasão e ocupação pelas beiradas, que passa pelo meio e micro revoluciona por dentro minando e enferrujando as engrenagens.